domingo, 14 de agosto de 2011

Dia um

Jamais entenderei os motivos que levaram nossa espécie ao declínio; jamais entenderei como fomos capazes de nos matarmos uns aos outros...

Eu olho para todos eles e vejo que continuam em suas miseráveis buscas por coisa alguma; acreditam possuir sabedoria suficiente para lidar com a própria existência, como se esta fosse nada mais que a simplicidade do ir e vir, sem compromisso sincero com seus semelhantes, somente sustentando a incansável vontade, ora dissimulada, ora voraz, de evidenciarem a si mesmos.

Criam sempre os mesmos sistemas e controles falhos para viver em sociedade, mas são limitados e jamais serão capazes de romper os ciclos; não há esperança, afinal de contas, a falha não está no que conseguem fazer, está na herança do que fomos e no legado que deixaríamos, se realmente ainda fosse possível, para as gerações vindouras.

Agora já resta tão pouco do que fizemos, do que fizeram, quase nada... Cada vez que olho lá para baixo aumenta a certeza de que todo o esforço foi em vão; os sacrifícios foram todos em vão; apenas vidas trocadas por nada.

Estou com medo...

Sinto o enorme vazio devorando minha alma, sinto o pavor da solidão crescente e impactante minando cada vez mais a minha vontade de reagir, enquanto aguardo com profunda tristeza o inevitável fim, porque é disso que se trata, não é? Chegamos ao ponto final e já não há qualquer esperança de salvação. Eles não voltarão mais, não podem voltar, estão presos à sua pobre miséria.

Hoje é o primeiro dia de uma nova era, já começaram seu novo e ambicioso projeto, estão desesperados e acreditam que serão capazes de salvar a espécie mais uma vez. Mas, eu fico me perguntando, será que lá no fundo de seus corações, não estão fazendo isso apenas para salvarem a si mesmos?

São egoístas por natureza, salvam-se poucos, e a construção dos arcolades não marcará uma nova era de verdade, apenas sintetizará o que sempre fizemos ao longo da existência de nossa espécie: pouquíssimos sendo favorecidos pelo sacrifício de milhares.

Anok
Orion – Ciclo 3.2507
Órbita de Lanuria 268
Ustrafus II

4 comentários:

  1. Ótima postagem querido!!! Sucesso ao blog! *_*

    Bjinhos!

    Swan
    @swannx
    Bem pra Mente

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  2. Obrigado, queridas Sw e Su!

    Tentarei postar aqui ao menos quinzenalmente para formar um bom prelúdio de Arcolades.

    Saudações literárias!

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  3. Oi, Tatinda,

    Sim, é o projeto de um novo livro no qual venho trabalhando desde o ano passado; tenho intenção de lançá-lo no final do ano que vem.

    Beijos!

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